24 maio 2012

Arte como tecnologia: O que determina que algo seja ainda arte?


          Suzy Lie Kanezaki – Desenho Digital – Profª Venise Melo

° Arte como tecnologia: O que determina que algo seja ainda arte?

O artista plástico passou a utilizar várias linguagens, artísticas ou não, atravessando as especificidades formais da teatralidade, da dança, do filme, da fotografia e os meios de comunicação de modo geral – rádio, tevê, jornal. Uma simples ação ou atitude poderia ser arte se feita por um artista, ainda que buscasse levantar questões éticas ou filosóficas.                                                                                                                  A partir do momento em que a pintura de Pollock não pôde ser pensada somente, a partir do parâmetro de uma auto reflexividade da obra sobre seu meio específico, se deu uma maior compreensão da formação heterogênea de todo meio, ao mesmo tempo em que a arte se expandia em direção a campos heterogêneos do conhecimento. Sabendo que todo meio é sempre heterogêneo, ele questiona acima de tudo seu próprio campo, a arte em geral.
Sobre uma obra de arte não se pergunta o que ela significa, mas o que ela faz.
O artista, utilizando ou não a tecnologia digital e a internet, precisa saber antes, que efeitos ele busca. Saber trabalhar com a técnica não é o fundamental, uma vez que pode projetar e solicitar um técnico que o execute. As tecnologias avançadas trazem problemas e noções específicas uma vez que elas estão atuando como meio. Mas esses problemas não surgiram com as novas tecnologias, e nem as condições da arte mudaram por conta desse contexto.
 A presença de uma nova mídia agrava ou dobra questões mais antigas, as façanhas da tecnologia podem levar perversamente o artista a confundir seu trabalho com a pura diversão dos acontecimentos midiáticos espetaculares. Do mesmo modo, se ele investe no entretenimento e na comunicação não é como técnico, mas como artista que deseja criar tensões e problemas.
A arte contemporânea surgia junto ao desenvolvimento dessas novas ferramentas. O vídeo, por exemplo, foi imediatamente encampado pelos artistas, afinal era uma mídia de gravação tecnicamente simples para o usuário, que desejavam se aventurar em novos meios, no contexto da crise da pintura e da escultura.
A arte contemporânea descobriu novos lugares para acontecer e revelou mais do que novos gêneros ou técnicas, deu a conhecer novas noções, qualidades e condições. A arte expandiu suas técnicas e linguagens a ponto de encontrar-se com a ética e a lógica, a antropologia e a comunicação, o entretenimento e a publicidade, a engenharia e a computação, então, a questão hoje deveria ser antes, o que determina que algo seja ainda arte, quando da interferência heterogênea dos campos, e não o que é a arte tecnológica.

Bibliografia

PARENTE, André (org.). A imagem máquina: a era das tecnologias do virtual. Rio                   de Janeiro: Ed. 34, 1993.

FOSTER, Hal. El retorno de lo real: la vanguardia a finales de siglo. Madrid: Akal,
2001.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

BASBAUM, Ricardo (org.). Arte contemporânea: texturas, dicções, ficções,   estratégias: Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001