Resenha do
texto: Arte como
tecnologia: o que determina que algo seja ainda arte?
“Arte como tecnologia” é o nome
provisório de um grupo de pesquisa que pensava esse nome como uma maneira de
evitar a separação entre a arte contemporânea e a arte tecnológica, rejeitando dar
à tecnologia enquanto meio o primeiro plano da realização artística
Se a técnica não é apenas mero instrumento
para a formalização artística em um dado meio, a negação ou morte da arte
também não esgota a insistência da arte. Por um lado, a técnica atua no campo
da significação, jamais sendo passiva ou homogênea. Por outro, os
questionamentos levados a cabo pelas vanguardas históricas e revistos pelos artistas
das décadas de 1960 e 1970 não implicam a morte literal da arte. A produção
artística, tensionando as fronteiras dos meios, dos gêneros e dos campos,
problematizando o lugar da arte e a fetichização do objeto artístico, sempre
formaliza sensações indeterminadas, mesmo que sob a modalidade de ações ou
acontecimentos efêmeros.
O artista, utilizando ou não a
tecnologia digital e a internet, precisa saber antes que efeitos ele busca.
Saber trabalhar com a técnica não é o fundamental, uma vez que pode projetar e
solicitar um técnico que o execute.
Há diferenças entre os meios, no que
diz respeito aos efeitos estéticos, éticos, sensoriais e mentais. As diferenças
de sentido, entretanto, não podem implicar a fetichização de uma nova técnica.
A possibilidade de alcançar espectadores
longínquos para interagir com o trabalho é menor numa obra escultural mesmo que
pública e localizada numa praça do que num filme na rede. A interação entre um
espectador-participador com um objeto ou não-objeto é muito distinta daquela
possibilitada por um site na web.
Se o artista se volta para o mundo e
se aborda o campo do designer gráfico ou do engenheiro ou se este se aproxima
da cidade, do cotidiano, da cultura como um etnógrafo ou um publicitário, ele
não deixa de ser artista enquanto formaliza as questões condicionadas por seu
campo.
Sendo
assim, surge uma questão de suma importância: o que é fazer um ambiente com as
novas tecnologias e manter a tensão da heterogeneidade e a produção de
sensações imprevistas, ambas necessárias a um trabalho artístico?
A arte contemporânea deu a conhecer
novas noções, qualidades e condições. A arte expandiu suas técnicas e
linguagens a ponto de encontrar-se com a ética e a lógica, a antropologia e a
comunicação, o entretenimento e a publicidade, a engenharia e a computação.
Dessa forma, a questão hoje deveria ser o que determina que algo seja ainda
arte quando da interferência heterogênea dos campos e não o que é a arte
tecnológica.