30 maio 2012

Resenha, professora Venise Melo


Resenha do texto: Arte como tecnologia: o que determina que algo seja ainda arte?

“Arte como tecnologia” é o nome provisório de um grupo de pesquisa que pensava esse nome como uma maneira de evitar a separação entre a arte contemporânea e a arte tecnológica, rejeitando dar à tecnologia enquanto meio o primeiro plano da realização artística
Se a técnica não é apenas mero instrumento para a formalização artística em um dado meio, a negação ou morte da arte também não esgota a insistência da arte. Por um lado, a técnica atua no campo da significação, jamais sendo passiva ou homogênea. Por outro, os questionamentos levados a cabo pelas vanguardas históricas e revistos pelos artistas das décadas de 1960 e 1970 não implicam a morte literal da arte. A produção artística, tensionando as fronteiras dos meios, dos gêneros e dos campos, problematizando o lugar da arte e a fetichização do objeto artístico, sempre formaliza sensações indeterminadas, mesmo que sob a modalidade de ações ou acontecimentos efêmeros.
O artista, utilizando ou não a tecnologia digital e a internet, precisa saber antes que efeitos ele busca. Saber trabalhar com a técnica não é o fundamental, uma vez que pode projetar e solicitar um técnico que o execute.
Há diferenças entre os meios, no que diz respeito aos efeitos estéticos, éticos, sensoriais e mentais. As diferenças de sentido, entretanto, não podem implicar a fetichização de uma nova técnica.
A possibilidade de alcançar espectadores longínquos para interagir com o trabalho é menor numa obra escultural mesmo que pública e localizada numa praça do que num filme na rede. A interação entre um espectador-participador com um objeto ou não-objeto é muito distinta daquela possibilitada por um site na web.
Se o artista se volta para o mundo e se aborda o campo do designer gráfico ou do engenheiro ou se este se aproxima da cidade, do cotidiano, da cultura como um etnógrafo ou um publicitário, ele não deixa de ser artista enquanto formaliza as questões condicionadas por seu campo.
            Sendo assim, surge uma questão de suma importância: o que é fazer um ambiente com as novas tecnologias e manter a tensão da heterogeneidade e a produção de sensações imprevistas, ambas necessárias a um trabalho artístico?
A arte contemporânea deu a conhecer novas noções, qualidades e condições. A arte expandiu suas técnicas e linguagens a ponto de encontrar-se com a ética e a lógica, a antropologia e a comunicação, o entretenimento e a publicidade, a engenharia e a computação. Dessa forma, a questão hoje deveria ser o que determina que algo seja ainda arte quando da interferência heterogênea dos campos e não o que é a arte tecnológica.